Parque Nacional de Ischigualasto, uma Disneylândia para geólogos e palentólogos do mundo inteiro
O Parque Nacional de Ischigualasto tem ares de lugar remoto que nem pertence a esse mundo, mas ao contrário está bem perto de nós, na vizinha Argentina. Por sua singularidade foi declarado pela Unesco, Patrimônio Natural da Humanidade.
Parque Nacional de Ischigualasto
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Ischigualasto

Parque Nacional de Ischigualasto, uma Disneylândia para geólogos e palentólogos do mundo inteiro

Estamos há dias caminhando em uma natureza abandonada, inóspita, árida e descolorada. Extrema.
Tem ares de um lugar remoto que nem pertence a esse mundo, mas ao contrário está bem perto de nós, na vizinha Argentina. É o Parque Nacional de Ichigualasto que em 2.000, por sua singularidade, foi declarado pela Unesco, Patrimônio Natural da Humanidade.

Ischigualasto

Na vastidão silenciosa reinam pedras que parecem empilhadas à toa. São gigantescas esculturas lapidadas pela água de mil lagos quando estavam submersas, e hoje são vítimas do vento perfeccionista que nunca dá por terminada sua obra.

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Cada passo para dentro do vale desértico nos conduz a uma era geológica. Uma delas era quando os dinossauros dominavam a exuberância dessa amplidão moldada especialmente para os selvagens grandalhões. Caminhamos sobre cinzas vulcânicas, e sob nossos pés jaz um cemitério de dinossauros pronto a revelar segredos de 200 milhões de anos, dizem os cientistas.
Mas para nós, além desse invisível segredo, como compreender porque pedras aos montes num chão poeirento podem seduzir tanto?

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Será a desolação de um campo polvilhado de bolas de pedra que racham com o calor? O local nos sugere uma cancha de boccia de gigantes que sem espírito esportivo desistiram da partida, e largaram tudo bagunçado. Ou será porque podemos ver hoje o dia seguinte do cataclismo quando a placa do Pacífico se chocou com a costa, deixando tudo fraturado e o contrário exposto? O que era fundo de mar virou montanha, daí lá no cocuruto se acharem conchas. Ou ainda será a ausência de vida animal, de verde e de gente? Afinal, até agora só vimos um condor que vive mais perto do céu do que da terra, e um quase nada de viajantes, além de ciclistas e aventureiros que curtem locais intactos do planeta.

Ischigualasto

Foi quando se deu o inesperado.
Estávamos sentados aos pés de uma montanha esperando o sol se pôr. Quando ele se foi fizemos a foto, e como o vento deu uma trégua, ficamos ali submersos na quietude. De repente parecia que tínhamos mergulhado em outra realidade. Na hora duvidosa entre a claridade e a noite, vimos que ao nosso redor passeavam tranquilas duas raposas, um bando de vicunhas e pequenos avestruzes mimetizados ao cinza do solo. Onde eles estavam minutos antes? Foi um instante mágico.

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A partir daí o vale não é só o único lugar do mundo onde se podem ver quatro tempos geológicos juntos, e as montanhas não são apenas formações rochosas de diferentes eras como exaustivamente nos explicaram os guias: “somos a Disneylândia para os geólogos”, gostam de definir.
Remanescentes da convulsão que não deixou pedra sobre pedra, as montanhas já viram de tudo por aqui, conservam conchas, gravaram veios onde antes a água corria em ondas, enfim, são a memória da Terra.
Para nós uma viagem inesquecível!pontofinal

Texto e fotos: Silvia e Heitor Reali


Comentários

Heitor e Silvia Reali
"Viajamos para namorar a Terra. E já são 40 anos de arrastar as asas por sua natureza, pelos lugares que fizeram história, ou pela cultura de sua gente. Desses encontros nasceu a Viramundo e Mundovirado."

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