Bois Bumbás, Flor do Campo e Malhadinho duelam na fronteira
Duelo na fronteira é uma festa dos bois-bumbás amazônicos Flor do Campo x Malhadinho, em Guajará-Mirim, Rondônia
Bois-Bumbás
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Duelo na fronteira Brasil-Bolívia, quem vai dançar é você

Guajará-Mirim

Duelo na fronteira Brasil-Bolívia, quem vai dançar é você

Em Guajará-Mirim, às margens do Rio Mamoré, Rondônia, no início de outubros acontece a rixa brava entre os Bois-Bumbás amazônicos Malhadinho e Flor do Campo.

 

Guajará- Mirim

crédito: Viramundo e Mundovirado

 

Parecia coisa de faroeste. Um panfleto colado num poste de Porto Velho nos chamou a atenção: Duelo na Fronteira Brasil-Bolívia. De cara imaginamos que Evo Morales desafiava a nossa presidenta. Nada disso. Era um convite para uma das festas mais fantásticas que tivemos a oportunidade de conhecer desse Brasil ainda, quase, desconhecido. E lá fomos nós para Guajará-Mirim.

 

Guajará-Mirim

crédito: Viraundo e Mundovirado

 

Mescla de drama, comédia, tragédia e dança, em Guajará a saga dos Bois-Bumbás ganhou ainda mais tempero, bossa, e exuberância ao se unir ao imaginário das lendas indígenas. Agigantou-se! Espelhada na natureza que ali não conhece limites, virou uma “sensual ópera amazônica”. É o Duelo na Fronteira, que desde 1995 coloca a cidade em polvorosa alegria.

 

Guajará-Mirim

crédito: Viramundo e Mundovoirado

 

Flor do Campo é o boi que tem um trevo de quatro folhas vermelho estampado na testa. Já o Malhadinho é o boi azul, com uma meia lua bordada entre os chifres. O séquito dos bois tem mais de vinte itens: Porta-Estandarte, Rainha do Folclore, Tuxauas, Ritual Indígena, Marujada, que são os bateristas, Pajé, Toada (Letra e Música), o Amo, a Vaqueirada com cavaleiros que saltitam com seus cavalinhos presos por suspensórios, e carregam longas lanças com fitas brilhantes.

 

Guajará-Mirim

crédito: Viramundo e Mundovirado

 

A mais bela índia – cunhã poranga – pode surgir, por exemplo, no ventre de imensas aranhas, ou dentro das bocarras de anacondas há 20 metros do chão. Pele cor de canela, olhos puxados, maçãs do rosto salientes, e cabelões lisos fartos e negros. Já os taludos homens dali, acionam os mais de 17 movimentos que têm cada figura articulada dos carros alegóricos. Mas, atenção, não é um desfile, tudo acontece ao mesmo tempo na arena, com os personagens se transmutando diante dos observadores: viram pássaros, cobra, ou onça como fosse um passe de mágica de um gigantesco ilusionista. Abracadabrante!

 

Guajará-Mirim

crédito: Viramundo e Mundovirado

 

Todo esse estonteante espetáculo é fichinha se comparado aos volteios do Boi exibindo seu dengo para a Sinhazinha da fazenda. Esta personifica a graça enquanto dança com seu vestido cheio de frufrus e laçarotes, luvas e sombrinha. Mas, quando ela se depara com seu xodó, o boi. Eia!! Difícil definir a arlequinada que esse boi bailador então apronta: com nobreza de porte e faceiroso ele cabrioleja, dá coices no ar, se apruma, sacode os quadris, bailarica, e se rejubila quando Sinhazinha se alegra com seu desempenho. Malandreando ele pisca e faz olho-de-peixe-morto para ganhar um carinho, e se arrepia todo do focinho ao rabo, quando ela lhe tasca um beijo!

 

Guajará-Mirim

crédito: Viramundo e Mundovirado

 

Salve esse boi que nos enfeitiça, e nos faz crer que é vivo! O boi faz até lembrar Mahatma Gandhi: “A grandeza de um país e seu progresso podem ser medidos pela maneira como tratam seus animais”. Vixe, que nos diria então o sábio e pacifista hindu se fosse brincar de Boi-Bumbá em Guajará-Mirim?

 

 

Guajará-Mirim

Encontro dfas águas escuras com as claras dos drios Mamoré com o Pakaas Novos crédito; Viramundo e Mundovirado

 

Dicas para quando for:
Guajará-Mirim ou “Pérola do Mamoré”, como a definem seus moradores, fica a 370 quilômetros de Porto Velho, por rodovia asfaltada. Em alguns trechos, essa estrada se confunde com a velha Ferrovia Madeira-Mamoré

 

Onde Ficar:
Hotel Pakaas Palafitas Lodge, construído em rústica arquitetura circular de frente para o belo Rio Pacáas, tem piscina, amplos e arejados chalés construídos sobre palafitas, e longas passarelas que ficam na altura das copas das árvores. Ali você pode ver o encontro das águas escuras com as claras dos rios Mamoré e Pakaas Novos, Estrada do Palheta km16. Tel: (69) 3541-3058.

 

Onde comer:
Restaurante Pakaas, oferece gastronomia à base de peixes, como o tambaqui assado e recheado, servido com farofa amarela, e de sobremesa pudim de cupuaçu com chocolate, ou creme de graviola. Estrada do Palheta, km 16. Tel: (69) 3541-3058

 

Quem leva:
José Calixto organiza e leva os viajantes para a festa. Tel: (69) 3221-0030.

 


Comentários

Heitor e Silvia Reali
"Viajamos para namorar a Terra. E já são 40 anos de arrastar as asas por sua natureza, pelos lugares que fizeram história, ou pela cultura de sua gente. Desses encontros nasceu a Viramundo e Mundovirado."

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